A vida é feita de imprevistos, e o timing é sempre péssimo. A história da segunda edição desta publicação online foi pautada por demasiados imprevistos. Desde o primeiro momento quisemos que a LAB Pisa-Papéis fosse o mais transversal e profunda no tratamento dos temas, por isso procuramos sempre ouvir o máximo de fontes e dos mais diferentes quadrantes do tecido cultural português.
Nesta LAB 1.2 o tema economia e cultura foi recuperado por forma a fechar, mas acima de tudo completar um primordial capítulo neste profícuo encontro e confronto de ideias que propomos ser a nossa publicação. Tendo o debate e a reflexão sido concentrado na primeira edição em quem cria, produz e programa, queríamos agora analisar e dar voz a quem financia e apoia, e o modo como esses financiamentos privados e públicos são geridos e entendidos pelos mais variados agentes culturais.
Assinados pelo jornalista Anselmo Crespo da editoria de cultura da SIC, por Vítor Martelo, director da Cultideias dos Encontros Alcultur (que decorrem de 20 a 23 de Fevereiro em Guimarães) e por Daniel Sá, docente de Marketing e director do IPAM Matosinhos, os artigos de opinião seguem as coordenadas das temáticas do mecenato e dos patrocínios.
Em entrevista à LAB Pisa-Papéis o director cultural da Fundação EDP, José Manuel Santos, clarificou o modo como é entendido o mecenato cultural pelo sector privado, e como o factor da sustentabilidade dos projectos é determinante na atribuição de apoios.
A visão de uma estrutura que procura apoios e mecenato coube a Rui Júnior do Tocá Rufar. Dividindo–se entre orquestra e formação, este projecto tem crescido e conquistado um mercado cultural outrora impensável, mais pela sua vertente comercial que por apoios quer públicos quer privados, levando mesmo o seu mentor a salientar que por vezes “os apoios saem caro”.
Do campo da investigação europeia cultural convidámos Xavier Dupuis, uma figura de referência nos meios académicos franceses e colaborador regular do Ministério da Cultura francês, da Unesco e do Conselho da Europa. Este investigador francês considera que existe uma crise cultural em França e que, independentemente das opções criativas os projectos culturais, são sempre projectos económicos.
Infelizmente, a LAB 1.2 fica marcada pela ausência de um importante testemunho: o de uma entidade estatal responsável pela atribuição de financiamentos ao sector cultural. Esse testemunho foi-nos confirmado pelo Ministério da Cultura, através de uma entrevista que nos seria dada por Isabel Pires de Lima, na altura ainda Ministra da Cultura. Sucessivos adiamentos nas respostas, levaram-nos a não condicionar mais esta edição. Quem sabe se precisamente esta ausência não possa só por si ser explicação suficiente para o cenário que o governo tem escolhido para acomodar a cultura nacional. Não queremos acreditar que assim seja, e recusamo-nos a enveredar por discursos vitimistas. Contudo, à falta desse valioso testemunho mais nada nos resta acrescentar. Fazemos votos para que o recém empossado ministro traga novo alento e uma voz mais presente e efectivamente interventiva no seio cultural português.
A fotoreportagem desta edição é da autoria do fotógrafo Miguel Ribeiro Fernandes e acompanha os bastidores de Lauriane, uma ópera portuguesa de Augusto Machado, apresentada no Teatro São Carlos.
Mais uma vez sejam bem-vindos e esperamos que continuem a honrar-nos com a vossa visita e os vossos comentários!