Editorial
Num momento em que a discussão mais premente na actualidade nacional envolve o Ministério da Educação, professores e precariedade no trabalho, a questão da profissionalização não poderia estar mais na ordem do dia. Não só porque nas artes do espectáculo a questão da profissionalização continua não tão certa como seria de imaginar, como todas as componentes que implicam – onde se evidenciam a formação e o estatuto do trabalhador - estão mais do que nunca no pelotão da frente da discussão e debate públicos.

A LAB 1.3 lança assim algumas pistas sobre a temática da profissionalização, procurando uma análise tão democrática e transversal quão esclarecedora.

Na entrevista com o Prof. Doutor Paulo Rodrigues, Coordenador do Serviço Educativo da Casa da Música, procurámos ir ao encontro do trabalho de formação desenvolvido por organismos autónomos ao ensino público, que para além da sua função programática cultural têm procurado combater “um deficit de oferta, sobretudo ao nível de iniciação e a qualidade do que é feito é muitas vezes reduzida.”.

A produtora de artes do espectáculo Mafalda Gouveia partilha a sua perspectiva profissional e não tem dúvidas ao afirmar que nas artes circenses a “formação insuficiente, ausência de uma rede organizada e uma área a precisar de revitalização são as principais particularidades diagnosticadas”.

Cristina Santos, directora do Fórum Dança fala na sua entrevista à LAB 1.3 no desfasamento do ensino da Dança em Portugal, e salienta: "o ministério da Educação tem uma acção muito limitada, não mostra grande atenção, disponibilidade ou meios para a contemporaneidade”.

Gil Silva, presidente da Associação Ar Quente, permite-nos a perspectiva de um grupo de teatro que vive à margem dos dinheiros públicos, e que procura com a sua produção própria e independente apresentar um trabalho profissional e consistente mas perante os inevitáveis constrangimentos desta autonomia: "A profissionalização só acontecerá na plenitude quando houver consciência colectiva que a criação artística é indispensável ao desenvolvimento de um país".

Como é sempre nosso critério procuramos reunir e confrontar as mais distintas opiniões e dos mais diversos eixos dentro do enquadramento temático de cada edição. Assim, João Tovar, Director da Restart, deixa o seu testemunho através do artigo "A Profissionalização da Alma", construído no contexto da formação e do sistema de ensino das artes do espectáculo. Tiago Ivo Cruz, fundador do MovArte e ligado à produção de artes do espectáculo na Fundação Calouste Gulbenkian, no seu texto Profissionais à Deriva traça um diagnóstico do actual panorama do ensino artístico português e a consequente necessidade de criação de movimentos de defesa do ensino artístico e plataformas de defesa dos trabalhadores das artes do espectáculo. Contamos ainda com a opinião de Eduardo Simões, Director Geral da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), sobre a profissionalização nas artes do espectáculo e o direito de autor. João Carrolo, coordenador do Serviço Educativo do Teatro Municipal de Faro, salienta no seu artigo Serviços Educativos: as formas, os conteúdos e as pessoas que com eles trabalham a vital “criação de fluxos estimulantes e de relações progressivamente mais chegadas entre público e objecto artístico”.

A reportagem central sobre Profissionalização é assinada por André Rito e não só acrescenta dados essenciais para o tema em análise como permite uma clarificação mais concisa dos testemunhos aqui apresentados.

Através da objectiva do fotógrafo José Sérgio, a fotoreportagem foi para a estrada e acompanha os preparativos de um concerto da banda portuguesa Blasted Mechanism.

LAB Pisa-Papéis
Junho de 2008


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