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Serviços Educativos
as formas, os conteúdos e as pessoas que com eles trabalham
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João Carrolo
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O aparecimento de departamentos cuja área de trabalho se estende pelas múltiplas intervenções com carácter pedagógico ou reveladoras de uma preocupação da ordem educativa em estruturas de arte e cultura é um fenómeno relativamente recente, tendo-se tornado nos últimos anos quase cogumelar se tivermos em conta o número de estruturas criadas e o espaço de tempo curtíssimo em que estas surgiram.
A progressiva criação destes departamentos em estruturas já existentes, mas sobretudo o facto de assistirmos hoje ao planeamento e construção de novos equipamentos um pouco por todo do país, de entre Museus, Bibliotecas, Teatros e Centros Culturais que contemplam já de raiz a existência de um departamento próprio que permita uma ligação entre objectos culturais/artísticos e o público que os recepciona, por entre uma vasta malha de trabalho que tem como denominador comum a orientação pela preocupação educativa, é um fenómeno que denota uma preocupação crescente com as matérias da formação de públicos e em sentido mais alargado com as relações possíveis entre arte, cultura, educação, comunidade, cidadania, vida.
É sem dúvida representativo de um ponto de viragem na maneira como os organismos decisores se posicionam perante estas questões, e somos levados a acreditar que estamos paulatinamente a criar as condições para a existência de uma massa de público que tem perante as manifestações culturais e artísticas uma posição assídua, embora selectiva, capaz de um olhar fresco, crítico e de interpretação referencial.
Entre a forma criada e a fluidez dos conteúdos
Numa visão abrangente sobre a realidade dos Serviços Educativos existentes, contando com a sua razoável distribuição pelo território, disseminadas que estão as infra-estruturas e avançado que está o processo de constituição formal destes departamentos, urge na maioria dos casos criar um corpo de profissionais a quem sejam fornecidas as ferramentas para que seja possível a criação de conteúdos que dêem sentido a estas estruturas formais – permitir a criação de relações entre o trabalho que produzem e o público a que se dirigem, que lhes confiram sentido e pertinência em estratégias cada vez mais audazes e cada vez mais próximas. Porque é realmente disto que se trata, da criação de fluxos estimulantes e de relações progressivamente mais chegadas entre público e objecto artístico.
É um trabalho ambicioso, necessário, estruturante. É igualmente um trabalho de continuidade, construção complexa onde não existem fórmulas pré-definidas ou estudos conclusivos.
É simultaneamente um trabalho de grande invisibilidade e nem sempre compatível com o tempo de apresentação de resultados práticos, imediatos, quantificáveis.
Consciencialização profissional e a dúvida como método
Um quase-paradoxo necessário
Dada a complexidade e exigência da missão e o tempo necessário para o aparecimento de resultados, é absolutamente fundamental que os profissionais dos Serviços Educativos possuam muito sólidas noções de espaço/identidade/missão/papel dos seus departamentos no seio das organizações a que pertencem para assim criarem as condições que os levem a ver os seus sectores funcionarem como verdadeiros elementos orgânicos, camaleónicos, de múltiplos recursos, pivots estruturantes de actividade. E num nível mais macro, colocar em prática as incríveis possibilidades de relacionamento que uma estrutura deste carácter pode ter com o mundo e a massa viva de pessoas e acontecimentos que existem em seu redor.
Como se de uma conclusão se tratasse, creio que apenas com uma forte consciencialização dos profissionais de Serviço Educativo será possível dar o passo seguinte, elevar o patamar de exigência e afastar a ainda presente tendência para menorizar o papel destes departamentos tanto ao nível formal como de conteúdos.
Formas de o conseguir?
A troca de ideias, o trabalho em rede, a produção de estudos de carácter científico na área, a mobilidade destes profissionais, a formação, a reflexão, a dúvida e a interrogação como metodologia, a experimentação constante, os passos pequenos mas rigorosos.
Mas são apenas pistas. Ainda tenho as minhas dúvidas.
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João Carrolo
Licenciado em Ciências da Comunicação, coordena o Serviço Educativo do Teatro Municipal de Faro desde o início da sua actividade. Foi colaborador do Festival Percursos/CCB e faz parte da equipa criativa da Associação Ar Quente, onde tem vindo a trabalhar em projectos nas áreas das artes performativas e visuais.
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